Sobre

Eu acredito que todo piloto passa por um momento crítico.

Um momento em que tudo muda.

Quando um avião deixa de ser apenas mais um meio de transporte...

E se torna algo muito maior.

Fonte: Airliners.net

Comigo, foi com uns 11-12 anos de idade.

Um amigo meu estava passando o dia lá em casa, e por volta de umas 3 da tarde, a minha mãe me liga:

– Filho, eu to aqui na Leitura (uma livraria de Belo Horizonte), e achei um tal de Flait Simuleitor… Você conhece?

Eu nunca tinha ouvido falar.

Mas algo acendeu dentro de mim… E eu fiquei muito animado.

Pedi pelo amor de Deus pra ela trazer.

Ela disse que ia ver e que mais tarde voltaria pra casa.

Ligação concluída, eu desliguei o telefone e obviamente voltei pra dar atenção pro meu amigo.

Ou melhor… Tentar dar atenção.

A minha cabeça não saía do tal do Flight Simulator.

Horas depois, a minha mãe chegou e… Coitado do meu amigo rs.

Deixei ele completamente de escanteio, liguei o computador e fui correndo instalar o Flight. 😂

Não demorou muito pra ele ligar pra mãe dele e pedir pra ir embora. (Mateus, se você algum dia ler isso, me desculpa pela completa falta de noção e de educação… Estou te devendo essa.)

A partir daí, sempre que dava, eu ia pro computador fazer um voozinho.

No começo, eu só sabia dar potência máxima, decolar e voar até cair rs.

Mas, com o tempo, fui aprendendo a pousar, taxiar…

Entendi o que era flap, spoiler, aileron, profundor…

E comecei as lições do curso do Rod Machado, até a parte de voo por instrumentos.

Foi uma época muito feliz, e de muito aprendizado.

Sou extremamente grato por tudo que o Flight me proporcionou, inclusive bem depois disso, quando fui staff da IVAO e da TAM Virtual.

Esse foi o começo de um caminho sem volta.


Anos depois, em 2010, eu estava no 3º período de Ciências Aeronáuticas da FUMEC, e tinha acabado de checar o PP no Aero Boero.

Nesse ano, eu e meus pais tivemos a oportunidade de viajar para os Estados Unidos pela primeira vez.

A nossa ideia era conhecer Miami, Orlando e Nova York.

E como já íamos para Orlando… Eu pedi pra eles se a gente poderia visitar o campus de Daytona Beach da Embry Riddle Aeronautical University (ERAU), que ficava a 1 hora de carro.

(A Embry Riddle é, para mim e para muitos, a melhor Universidade de Aviação do mundo.)

Eles disseram que sim, sem problema.

Então, nas férias de julho, lá fomos nós.

Pegamos o carro e fomos para Daytona Beach.

Chegando na cidade, fizemos uma curva à esquerda para sair da estrada…

E, do nada, já estávamos dentro do campus.

O lugar era imenso.

Além de muito bonito e extremamente bem cuidado.

Algo que eu nunca tinha visto antes.

Estacionamos o carro, fomos na recepção, e eles pediram para aguardar que a visita ia começar em breve.

Além de nós, havia mais umas 3 famílias de norte-americanos.

Passados alguns minutos, a nossa guia chegou e começamos o tour.

Cada parte do campus me deixava ainda mais impressionado: os simuladores, as salas de aula, os apartamentos para os alunos, os laboratórios…

Até que, de repente…

Chegamos no pátio de aeronaves.

Eram 3 filas de aviões de última geração, a perder de vista.

Mais de 70 ao total.

Eu fiquei sem palavras.

Mas ainda tinha mais.

A guia falou que os alunos recebem um cartão para acessar o pátio, e outro para fazer abastecimento.

Antes de voar, eles fazem um briefing com o instrutor.

Briefing ok, tchau e bênção.

Você vai pro pátio, escolhe um avião entre os 70, e vai voar pelo país afora.

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Agora compara isso com Ciências Aeronáuticas na FUMEC e o PP no Boero.

É meio difícil, pra dizer o mínimo.

Desde então, várias coisas aconteceram.

Chequei PC/IFR/MLTE, tirei ICAO 6, fiz o Jet Training no 737, dei um monte de aulas…

Mas aquela imagem nunca saiu da minha cabeça.

Eu não sabia, mas lá em Daytona Beach, naquele 08 de julho de 2010, algo mudou.

Essa comparação entre o que eu vi na Embry Riddle e a nossa realidade aqui no Brasil ia me gerar um incômodo permanente.

Eu não ia conseguir paz enquanto não fizesse algo a respeito.

E eu bem que tentei fugir disso, inclusive trabalhando fora da aviação por um tempo.

Mas não deu certo.

Eu precisava fazer a minha parte.

Por isso, decidi criar a Sala de Briefing.

E o que você tem a ver com isso?

A verdade é que eu não consigo transformar a formação aeronáutica brasileira sozinho.

Digo por experiência própria, porque eu já tentei.

Eu preciso da sua ajuda.

Da minha parte, você pode contar com um absoluto e total comprometimento em descobrir e desbravar o caminho até lá.

De você, eu conto com a parceria e companhia nessa jornada, seja dando um feedback sincero de como melhorar, participando das atividades, ou de qualquer outra forma.

Juntos, nós vamos conseguir a formação que merecemos.

E, se você já tiver passado por tudo isso (assim como eu) e já estiver no emprego dos seus sonhos, eu também conto com a sua ajuda.

Para que os próximos pilotos não precisem passar pelos mesmos apertos que nós passamos…

… e consigam aproveitar a aviação ainda mais.

No fundo, esse é o grande objetivo.

No que eu puder ajudar, conte comigo.

Seja bem-vindo(a) e sinta-se em casa!

Um grande abraço,

Lucas Bagatini
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