Navegação Simulada da prova de PC – Parte 3

Pré-requisitos

Este artigo leva em conta que você já domina:

(Este artigo faz parte de uma sequência sobre a prova de navegação de PC. Clique aqui para acessar a parte 1 e a parte 2.)

Para finalizar a nossa trilogia de navegação rs, vamos resolver os últimos exercícios e aprender sobre:

  • Relação entre fase de voo, altitude e consumo;
  • Cálculo do vento após um desvio;
  • Perfil de descida; e
  • Cálculo do TOD.

1. Resolvendo mais de uma questão ao mesmo tempo

6- Após nivelar, qual PM a aeronave manterá?

Nosso próximo trecho começa, obviamente, depois do TOC. Mas ele vai até onde? POSTA, NINDI, GAXEV, … ?

Depende. A primeira condição para determinar um novo trecho é o nosso velho conhecido: rumo, vento e VA.

Se um deles mudar, tudo muda, e aí precisamos de um novo trecho. Dos três, o primeiro que vai mudar é o rumo em NINDI (vai de 302º para 307º). Então, temos duas opções: fazer o trecho TOC-POSTA ou TOC-NINDI.

Para tomar essa decisão, basta dar uma olhada no enunciado da próxima questão: ela pede a VS após NINDI. Ou seja, não precisamos de nenhuma informação específica do trecho TOC-POSTA, e podemos ir direto pra NINDI.

Portanto, basta encontrar o rumo, vento e VA e calcular o restante do trecho para achar a PM:

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Feito isso, vamos direto para a questão 7.

7- Qual será a VS mantida após NINDI?

Aqui, é o mesmo raciocínio. Pelo rumo, vento e VA, poderíamos calcular o trecho até CORVO, pois os três são constantes até lá.

Mas como a próxima questão pede o estimado em MOPNI, precisamos fazer NINDI-MOPNI primeiro:

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E, com isso, já respondemos a questão 8 também!

8- Em que horário a aeronave sobrevoará a posição MOPNI?

Às 1458Z.

Assim, a gente ganha eficiência durante a prova, resolve as questões mais rapidamente, e o tempo investido lá atrás na organização e anotação dos dados passa a valer a pena.

Obs.: Estou pulando o cálculo do trecho em si porque já vimos como faz na parte 2. Se tiver alguma dúvida, volte lá e consulte o item 4.

2. A questão do vento

9- Se passar MOPNI no estimado, e às 1503Z receber as marcações QDM 240 URB e radial 347 ARX, qual terá sido o vento no trecho?

Finalmente chegamos na famosa “questão do vento”. Ela parece difícil mas, na verdade, é bem simples.

Como eu falei lá no item 3 da parte 2, o computador de voo mostra 6 informações:

  1. Rumo Verdadeiro (RV);
  2. Ângulo de Correção de Deriva (ACD);
  3. Velocidade Aerodinâmica (VA);
  4. Velocidade em relação ao Solo (VS);
  5. Direção do Vento (DV); e
  6. Velocidade do Vento (VV).

Se nós não temos a DV e a VV, precisamos dos outros 4:

  1. Rumo Verdadeiro (RV): medido na carta a partir do fixo MOPNI e das marcações recebidas;
  2. Ângulo de Correção de Deriva (ACD): obtido através da PV;
  3. Velocidade Aerodinâmica (VA): é a mesma, pois ainda estamos em fase de cruzeiro e na mesma altitude;
  4. Velocidade em relação ao Solo (VS): obtida através do TEV e da distância entre o fixo MOPNI e as marcações recebidas.

Vamos ver um por um, começando pelo RV. Para obtê-lo, precisamos traçar as marcações na carta para ver a posição exata da aeronave.

Aqui, você precisa lembrar de 3 coisas:

  • Toda radial, QDM, QDR, … é sempre magnética;
  • QDM aproxima, e QDR afasta;
  • QDM = QDR +/- 180º.

Obs.: se tiver alguma dúvida sobre como fazer as marcações, veja lá no item 6 da parte 2.

Feitas as marcações, o ponto onde as duas se cruzam é onde a aeronave está:

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Aí, é só traçar uma reta entre esse ponto e a posição MOPNI, e medir o RV (278º).

O próximo passo é obter o ACD a partir da PV, já que PV – RV = ACD (não precisa decorar, basta ver pelo formulário).

Pensa comigo: o desvio só aconteceu porque o vento mudou mas você manteve a mesma proa.

Logo, o ideal seria fazer um trecho simulado entre MOPNI-CORVO para saber qual PV você manteve que acabou gerando o desvio (veja o Bagarito da parte 3 para mais detalhes).

Porém, entre NINDI-MOPNI e o trecho simulado entre MOPNI-CORVO, o rumo, vento e VA são os mesmos. Logo, a PV também a mesma.

Por isso, eu vou considerar a PV anterior para achar o ACD:

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Só falta a VS. Se agora são 1503Z e nós passamos em MOPNI às 1458Z, o TEV foi de 5 minutos. E a distância basta medir na carta (26 nm).

Com ambos, nós podemos fazer uma regra de três e encontrar a VS:

x nm –60 minutos
36 nm –5 minutos

x = 60 * 36 / 5 = 432 kt

Por último, basta lembrar dos princípios do computador de voo para desenhar o vento:

  1. RV – é lido lá na parte de cima que você gira (278º);
  2. ACD – é a distância horizontal entre onde o avião está e o começo do vento (a bunda da seta) (+3º)
  3. VA – é onde fica a bunda da seta (465 kt);
  4. VS – é onde fica o avião (grommet) (432 kt);

Com o RV lá em cima e a VS no grommet, desenhe a seta com a bunda na VA e no ACD, e depois gire para ler a DV e a VV (311º / 39 kt).

Pronto. Simples assim.

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3. Novo TOC/TOD

10- Considerando o novo vento, se for autorizada DCT CORVO, qual será a PB e o tempo estimado até CORVO?

Feita a questão do vento, o resto é mais tranquilo.

Para resolver essa questão, vamos traçar uma reta do ponto do desvio até CORVO, medir o RV (293º)*, a distância (39 nm), e utilizar o vento e a VA anteriores para calcular o resto:

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11- Em CORVO, a aeronave precisa subir para um nível ímpar, e solicita o FL370. O novo TOC será em que radial do VOR ULD?

Na prova, às vezes eles pedem para calcular mais de um TOC/TOD. Nesse caso, foi por conta da direção da aerovia, mas em geral é quando a aeronave sobe/desce ao prosseguir para a alternativa.

Por mais estranho que pareça, como não falaram nada, vamos utilizar o mesmo vento lá do primeiro TOC, e vamos calcular uma nova VA de subida, considerando a mesma VI de subida mas uma nova altitude e temperatura médias:

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Obs. 1: se fosse uma segunda descida, com um novo TOD, o raciocínio seria o mesmo, apenas usando os dados da descida.

Obs. 2: esse jeito não é muito realista, mas é como a banca cobra. O objetivo é apenas ver se a gente sabe fazer os cálculos.

Por fim, basta medir e plotar na carta o ponto a 7 nm de CORVO, e medir a radial do VOR ULD:

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Obs. 3: faça traços longos. Fica mais fácil de enxergar a radial. E lembre-se que ela é sempre magnética.

4. Finalizando a prova

12- Considerando Goiânia abaixo dos mínimos, em OBLAV a aeronave será autorizada a prosseguir DCT NIMTO para o ILS Z 11R. Qual será a PV?

Repare que a prova deu uma acelerada boa nessa questão, e já perguntou sobre um trecho lá na frente. Isso acontece mesmo.

Cada prova foca numa coisa: umas pesam mais na SID, outras em rota, outras na alternativa… Não tem como trabalhar tudo em detalhes. Por isso há esse equilíbrio entre trechos mais detalhados e trechos mais longos e diretos.

Nesse caso, a questão já nos deu a dica sobre os 3 últimos trechos:

  1. O primeiro é da nossa posição atual (novo TOC) até OBLAV;
  2. Outro é do TOD até NIMTO para o ILS Z 11R;
  3. E mais um ligando esses dois pontos (OBLAV-TOD).

Fazendo eles, nós já respondemos também as últimas perguntas:

13- A aeronave precisa cruzar NIMTO exatamente a 5.500 pés. O TOD será, então, a que distância de NIMTO?

14- Qual será o consumo total até NIMTO?

Então, vamos fazer todos para encerrar com chave de ouro e nota máxima.

No primeiro trecho (TOC-OBLAV), o rumo é o mesmo de antes, e o vento e a VA de cruzeiro agora são do FL370 (o consumo também!). Com isso, temos:

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E para os próximos trechos, precisamos traçar uma reta entre OBLAV e NIMTO, já que o ATC nos autorizou a ir direto.

No entanto, como NIMTO não está na ENRC, teremos que descobrir as coordenadas dele na IAC e plotá-las na ENRC:

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Obs.: como os paralelos e meridianos estão bem apagados, você pode esticar a reta até encontrar um mais legível.

A partir daí, é rumo, vento e VA na veia.

O rumo é só medir na carta: 006º.

O vento é o de cruzeiro no FL370 (250º/35kt) e depois o de descida (190º/25kt).

E a VA nós só temos a de cruzeiro no FL370, a de descida nós ainda temos que calcular, considerando uma descida do FL370 para 5.500 pés (por isso eu falei de não fazer o trecho de descida antes. Muita coisa pode acontecer no meio do caminho rs).

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Obs.: para o perfil de descida, leve em conta a temperatura em Brasília, ao invés de Belo Horizonte ou Goiânia.

Encontrados rumo, vento e VA, é só medir a distância total entre OBLAV e NIMTO (140 nm), calcular o TOD primeiro, depois usar a distância restante no trecho OBLAV-TOD:

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E, com isso, respondemos as 3 últimas perguntas da prova: 002º, 91 nm e 2.572 kg.

🎉🎈

Pontos-chave

  1. Marque a rota com marca-texto amarelo e as distâncias de cada trecho com marca-texto verde.
  2. Anote todos os dados no formulário, sempre no mesmo lugar.
  3. Se a prova não der esses dados diretamente, pegue a elevação do aeródromo e a DMG na carta de rota, e a temperatura no METAR.
  4. A cada cálculo ou anotação, confira. Depois confira de novo. E confira mais uma vez.
  5. Deixe para calcular o perfil de descida somente quando a prova pedir.
  6. Rumo, vento e VA.
  7. Bunda da seta na VA e no ACD.
  8. RV, ACD, PV, DMG, PM, DB, PB, Vento, VA, VS, Dist., TEV, ETO, Consumo Parcial, Total, e Altitude.
  9. Os rumos na carta são magnéticos. Para encontrar o verdadeiro, precisamos subtrair a DMG (RM – DMG = RV).
  10. Marcação Relativa (MR) é a linha que liga a proa da aeronave à linha da estação, no sentido horário.
  11. Meça as distâncias sempre num meridiano, nunca na régua.

Exercícios

Dados:

  1. Considerando a VA e o consumo de cruzeiro e as distâncias da ENRC, qual é o abastecimento mínimo do voo?
  2. Em quais coordenadas a aeronave cruza o FL090 na subida?
  3. Após ingressar na aerovia, qual é a PB?
  4. O TOC é a quantas nm de PANOL? Obs.: considere como se AGIL fizesse parte da aerovia Z15.
  5. Em que horário cruza PANOL?
  6. Às 1706Z, está a 70 nm de Rio Branco e começa a receber o sinal do VOR, mas percebe que está fora da rota, na radial de aproximação 118. Qual vento gerou o desvio?
  7. Após o desvio, pede para alternar devido às condições meteorológicas, e o ATC autoriza a reinterceptar a Z15 voando DCT BIGOD. Considerando o vento do desvio como novo vento de cruzeiro, qual é o tempo até BIGOD?
  8. E qual o RM nesse trecho?
  9. Após BIGOD, qual é a PM?
  10. A 60 nm de Porto Velho, o ATC autoriza DCT EDROG para o procedimento ILS W 19, e pede para reportar no ideal de descida. Quais são as coordenadas do TOD?
  11. Qual é a PV na descida?
  12. Considerando que a aeronave decolou de Cruzeiro do Sul com o abastecimento mínimo, qual será o combustível remanescente em EDROG?

Desafio

De novo, a própria navegação é desafio suficiente rs.

Se você acertar todos os exercícios já está mais do que preparado. 🙂


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