Quando vai chegar a minha vez?

Essa pergunta sempre vinha na minha cabeça quando algum amigo conseguia um avião pra voar, enquanto eu continuava parado.

Não era fácil.

Eu queria ficar feliz por eles. E até ficava um pouco.

Mas, no fundo, o medo de o meu dia não chegar era muito maior.

No começo, parecia que ia ser tudo tão tranquilo…

Quase todos os meus amigos de faculdade com o PC checado estavam voando.

Inclusive, vários foram direto pra GOL e pra Azul com apenas 150 horas.

Eu mal podia esperar.

Já conseguia me ver dentro da cabine.

Fiz meu PC o mais rápido possível…

E em 17/02/2012, eu era oficialmente um Piloto Comercial. 😁

Screenshot das minhas licenças de piloto

A minha vez tinha chegado!

Porém…

Ao contrário do que eu esperava, não surgiu uma fila de gente na porta querendo me contratar…

Pior ainda, aquelas vagas que tinham me prometido (“Checa o PC e eu te indico!”), sumiram.

Eu não sabia, mas o Brasil estava entrando em crise…

E, como sempre, as empresas aéreas foram as primeiras a sentir o impacto.

Só em 2012, a GOL teve um prejuízo de R$1,5 bilhão.

A TAM, de R$1,2 bilhão.

De repente, ninguém mais era contratado (sem falar nas demissões).

O meu sonho de checar e ir direto pra linha aérea tinha ido por água abaixo.

Fiquei um bom tempo sem sair do lugar, revalidando as carteiras, voando cada vez menos…

Até descobrir uma pequena atitude que me colocaria dentro do processo seletivo da Azul.


Atualmente, estamos em uma situação muito parecida com o coronavírus.

Todas as empresas que estavam contratando suspenderam os processos seletivos…

E ninguém sabe o que vai acontecer.

A nossa situação é ainda mais delicada porque se trata de um sonho, muitas vezes de infância.

Família observando o avião decolar

Não dá pra simplesmente deixar a aviação de lado e ir fazer outra coisa.

Os custos são altíssimos, tanto financeiros como emocionais.

Ao mesmo tempo, também não dá pra ficar sentado sem fazer nada, só esperando a situação melhorar.

Cada mês que passa leva junto uma parte do nosso dinheiro e da nossa motivação.

E agora?

O que fazer numa hora dessas?

Primeiro, é importante saber o que não fazer.

O problema começa com a pergunta que eu fiz lá atrás:

“Quando vai ser a minha vez?”

Pensa comigo: quais são as possíveis respostas pra essa pergunta?

Só existe uma: “Não sei.”

Porque ninguém tem bola de cristal pra adivinhar o futuro.

Ou seja, essa pergunta não responde nada…

E ainda mantém a gente parado no mesmo lugar, sem saber o que fazer.

Homem em frente de 3 alternativas

E se a gente fizesse outra pergunta?

Mudaria algo?

Vamos testar:

“O que eu preciso fazer hoje para garantir a minha vaga quando ela chegar?”

Pense sobre isso.

Essa pergunta é mais útil, não é verdade?

Ela direciona o foco para o que está sob o nosso controle…

E nos leva a uma ação que pode fazer a diferença no futuro.

Homem escolhendo uma das 3 alternativas

Falo isso por experiência própria.

Quando eu parei para refletir sobre ela, surgiu a resposta de melhorar o QI.

Então, tive a ideia de ligar pros meus amigos mais próximos e ver se eu podia ajudar de alguma forma.

Como eu sou introvertido, nunca gostei muito de fazer esse tipo de ligação.

Mas não tinha outro jeito.

Engoli seco, peguei o telefone e liguei pro primeiro.

Conversamos um pouco, ele me agradeceu e disse que por enquanto não precisava de nada.

Ok, sem problema.

Liguei pro segundo… Também não tinha como ajudar.

Tranquilo.

Fui pro terceiro, quarto, quinto,… Mesma coisa.

Várias ligações depois, eu tava quase me deixando levar pelo desânimo (de novo)…

… quando um amigo comentou que um professor conhecido dele estava procurando alguém para dar aulas e aplicar simulados do ICAO.

Eu nunca tinha dado aula pro ICAO antes.

Mas não podia desperdiçar essa chance.

Qualquer coisa que aumentasse o meu QI tava valendo.

Então, pedi por favor pra ele me apresentar…

E, após algumas conversas, fui convidado a entrar para a equipe.

Um dos meus primeiros alunos, coincidentemente, era comandante da Azul.

As primeiras aulas foram ótimas, bastante aprendizado (pra mim e pra ele).

Lá pela terceira aula, ele me perguntou se eu estava voando.

Falei que estava mais parado que água com mosquito da dengue.

Aí, ele pediu meu currículo e disse que queria me indicar para uma seleção na Azul.

Na hora, fiquei chocado.

Jamais esperava aquilo.

Porém, pelas minhas experiências anteriores, mandar currículo nunca dá em nada…

É tempo, papel e esforço jogados no lixo.

Papel picado

Mesmo assim, acabei mandando.

Vai saber né? Rs

Os dias passaram, e nada.

Até que chegou a próxima aula.

Tudo tranquilo, fizemos o simulado…

E logo antes de desligar (a aula era pelo Skype), ele me perguntou se tinha alguma novidade sobre o currículo.

Falei que não.

Então, ele pediu meu currículo de novo…

E comentou que talvez tivesse um processo seletivo em breve.

Confesso que até fiquei meio animado… Mas precisava ser realista.

A chance de eu ser chamado era zero.

Enfim…

Às 11:09, eu mandei o e-mail com o currículo.

Às 11:23, ele enviou para a diretoria de operações.

E às 11:44, veio o convite para a seleção…

… que seria no dia seguinte às 08:00.

😳

Por um minuto, eu travei.

Não era possível que aquilo estava acontecendo.

Justamente quando eu desisti de perguntar “quando ia ser a minha vez”…

E foquei só no que eu precisava fazer para que ela chegasse…

… ela tinha chegado.

Finalmente.


A minha história não é a única. Muitas oportunidades surgem quando a gente menos espera.

Por isso, precisamos estar o mais bem preparados possível.

No meu caso, eu fui pego totalmente de surpresa.

Não estava estudando para um processo seletivo, e não tinha a menor ideia do que ia cair na prova.

Ainda assim, fui aprovado.

Screenshot do e-mail de seleção da Azul

Como?

Uma coisa eu te digo: não foi porque eu sou incrível, ou porque só caiu o que eu sabia.

Na verdade, foi por causa do jeito como eu estudava.

Pra ser sincero, na época eu nem achava que estava estudando…

Porque eu não passava dias com a bunda na cadeira nem decorava rodapé de página.

Foi só depois de muitos anos como professor de PP/PC/PLA/ICAO, e estudando como ocorre o aprendizado humano, que eu finalmente entendi a razão pela qual aquela forma de estudar era tão eficiente.

É o que eu gostaria de compartilhar agora com você.

Desde uma análise sobre a maior dificuldade em qualquer prova na aviação (do PP ao PLA, é sempre a mesma)…

Até o motivo pelo qual decorar um conteúdo é a pior coisa que você pode fazer.

Ao final, ainda há um curso por e-mail sobre como aplicar os princípios da estratégia em um processo seletivo de empresa aérea ou ao se preparar para a prova da ICAO.

(Obs.: a parte do processo seletivo também vale para o PP/PC/PLA.)

Porém, já aviso que não é uma leitura rápida.

Por mais que eu vá direto ao ponto, não tem como fazer um raciocínio estratégico em 5 minutos.

Você vai precisar investir pelo menos 20-30 minutos, mais o tempo necessário para ler os e-mails.

No começo é mais trabalhoso mesmo…

… assim como qualquer coisa que realmente valha a pena.

P.S.: Para ficar mais fácil de entender, eu ilustro os 3 pontos da estratégia usando o acidente com o Qantas 32.

Foi um A380 cujo motor explodiu logo após a decolagem.

Ou seja… Além de a estratégia ajudar nas provas, ela também é bastante útil durante os voos. 😉

Foto do motor danificado do Qantas 32
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